sábado, 11 de novembro de 2017

Veja Mais Mulheres: Filmes #43-47

Oiês!

Como já mencionei anteriormente, em outubro rolou a 41ª Mostra Internacional de Cinema de SP. Este ano, consegui ver 8 filmes, sete deles dirigidos por mulheres. Falarei sobre 5 deles neste post e sobre os demais na postagem seguinte, OK? Dois filmes desta primeira leva têm diretoras suecas (‘Ex-mulher’ e ‘Epifania’), dois têm diretoras suíças (‘Mulheres divinas’ e ‘Sarah interpreta um lobisomem’) e um tem diretora georgiana (‘Scary mother’).

Ex-mulher (Exfrun, 2017 – Katja Wik) [Suécia]
Três mulheres em fases distintas da vida e seus relacionamentos. Klara é a mais jovem, mora sozinha e costuma sair à noite com amigos para se divertir. Ela tem um relacionamento casual com um cara que adora seu jeito de ser quando estão a sós, mas que a critica duramente quando saem em grupo. Anna é uma mulher casada com dois filhos pequenos. O que a oprime é o cansaço da rotina doméstica intensificado pelos cuidados com as crianças. O marido reclama que ela não se arruma, que eles não saem. Quando vão a um aniversário de um amigo em comum, o bonito enche a cara, dá em cima de outra convidada e ainda se faz de vítima. Vera é separada e sua vida gira em torno dos filhos e de suas agendas, já que ela tem guarda compartilhada com o marido. Mesmo que as crianças não fiquem 100% do tempo sob seus cuidados, ela não consegue ser outra coisa além de mãe, só vive em função disso, tenta agradar os filhos o tempo todo e se ressente que o marido e a madrasta dos meninos possam dar a eles coisas melhores. São histórias bem comuns e que se repetem aos milhões. E por isso é tão incômodo. Embora seus problemas sejam diferentes e a ex-mulher do título obviamente seja Vera, para mim, todas as protagonistas são ex-mulheres, no sentido de se anularem para agradar aos outros, de servirem só para determinada função.
Nota: 3/5
Katja Wik é uma roteirista e diretora sueca e ‘Ex-mulher’ é seu primeiro longa-metragem. Antes dele, ela havia feito o premiado curta ‘Victim Mentality Rhetoric’, de 2013, e trabalhado como diretora de elenco.

Epifania (Epifanía, 2016 – Anna Eborn, Oscar Ruiz Navia) [Suécia/Colômbia]
Três histórias de maternidade: na primeira, a mãe de uma mulher morre e ela se sente perdida, começa a vagar e, por fim, reencontra a falecida em sua imaginação; na segunda, uma mãe participa de um grupo de mulheres isoladas na mata em um ritual de renascimento; na terceira, uma mulher que já é mãe se prepara com a família para a chegada de um novo bebê em um parto domiciliar. Nos três casos, os diretores combinaram experiências pessoais com ficção para criar as tramas. O resultado é bem peculiar. A primeira história é a que mais causou estranhamento porque quase não há fala e a câmera apenas segue a protagonista por praias e campos vastíssimos, depois a acompanha indo de um cômodo a outro de uma casa. Mas passados alguns minutos, me acostumei com aquele ritmo e passei a prestar atenção nas imagens deslumbrantes e nos sons dos ambientes. Foi bem diferente. As outras duas histórias foram OK.
Nota: 3/5
Anna Eborn é uma diretora sueca que tem um curta-metragem de ficção, um curta documentário e três documentários no currículo, um deles (o próprio 'Epifania') sendo um híbrido de documentário e ficção, que foi premiado no Festival Internacional de Cinema de Busan em 2016.

Mulheres divinas (Die göttliche ordnung, 2017 – Petra Biondina Volpe) [Suíça]
O filme se passa na Suíça, em 1971, em uma cidadezinha que só sabia da revolução sexual impulsionada pelo festival Woodstock nos Estados Unidos e da luta das mulheres ao redor do mundo pelo direito ao voto por meio das notícias. Nora é uma dona de casa que achava que nada dessas coisas tinha a ver com ela, até o dia em que diz ao marido que estava pensando em se candidatar à vaga aberta na agência de viagens. O esposo responde que não era necessário, que o que ele ganhava era suficiente para pagar as contas, que o lugar dela era em casa, cuidando do filho e das tarefas domésticas. Frustrada, ela encerra a conversa. Dias depois, toca no assunto novamente, e o esposo diz que ela estava precisando de um filho novo para se ocupar. É então que ela percebe o quanto todas aquelas lutas distantes lhe diziam respeito também. Assim, ela se envolve na luta pelo sufrágio feminino na Suíça, e aos poucos vai atraindo mais apoiadoras da causa. Didático e divertido.
Nota: 5/5
Petra Biondina Volpe é uma roteirista e diretora suíça. Seu primeiro filme, ‘Dreamland’, lançado em 2014, participou de festivais e foi indicado a quatro prêmios suíços. 'Mulheres divinas' foi indicado a 7 prêmios de cinema suíços e ganhou 3, e também levou 3 prêmios no Festival de Tribeca 2017.

Sarah interpreta um lobisomem (Sarah joue un loup garou, 2017 – Katharina Wyss) [Suíça]
Sarah é uma adolescente tímida de 17 anos que vê nas aulas de teatro da escola uma possibilidade de extravasar suas emoções reprimidas. No início, a atuação parece que consegue fazê-la superar bloqueios e até acena com a chance de fazer amigos, mas a garota continua a forçar os limites e acaba misturando realidade e imaginação, o que assusta seus colegas de turma e a própria professora. Em casa as coisas não são muito melhores, com um pai bem esquisito e mandão e uma mãe submissa que não sabe como ajudar a filha. Trancada dentro de si mesma e sem ser capaz de contar a ninguém como se sente, Sarah vai se isolando ainda mais. Até surtar. O filme é feliz ao mostrar a sensação de incompreensão e solidão de uma garota jovem, mas não sei bem como lidar com aquela família dela, com o pai principalmente. Ele faz e fala umas coisas que me deixaram chocada. É tão surreal que não consigo acreditar que alguém falaria como ele, por mais que não desse a mínima para a menina. Isso afetou a nota final que dei ao filme.
Nota: 3,5/5
Katharina Wyss é uma diretora suíça que atualmente mora em Berlim. Ela já foi roteirista, diretora e produtora de comerciais e curtas. ‘Sarah interpreta um lobisomem’ é seu primeiro longa, que estreou na Semana dos Críticos do Festival de Veneza 2017.

Scary mother (Sashishi deda/Scary mother, 2017 – Ana Urushadze) [Geórgia]
Manana é uma dona de casa de meia-idade que está escrevendo um livro. Mas sabe aquilo que Virginia Woolf disse, sobre a dificuldade que as mulheres têm para escrever porque não podem simplesmente se trancar em quarto e deixar filhos, marido e tarefas domésticas do lado de fora? Então... é esse tipo de dificuldade que Manana enfrenta. Ela até consegue se isolar parcialmente em seu quarto e escrever, mas tem que fazer pausas para ir ao mercado, preparar as refeições da família, etc. Quando seu livro finalmente fica pronto, ela o lê para os familiares, e todos se sentem chocados e ofendidos com a sinceridade das palavras dela. O marido, que a trata como uma criança e a critica por ela ter descuidado da aparência enquanto mergulhava em sua escrita, fica horrorizado e tenta queimar o original. Só que ela já havia entregado uma cópia ao dono da livraria, que assume como missão de vida publicar a obra. Mais uma vez, porém, o interesse não é ajudá-la, e sim ter o reconhecimento para si, como o cara que descobriu uma autora talentosa. E ainda tem o pai de Manana, que está traduzindo o livro dela para o inglês sem saber que ela é a autora – a opinião dele sobre o texto muda completamente quando ele descobre que foi a filha quem escreveu aquelas palavras. Ou seja, todo mundo quer dar pitaco e dizer a Manana o que e como ela deve escrever e sentir, mas ninguém está interessado em, de fato, ler o que ela escreveu e saber o que ela pensa e como se sente. Triste.
Nota: 4/5
Ana Urushadze é uma diretora georgiana com vários curtas-metragens no currículo. ‘Scary mother’, seu primeiro longa, foi premiado nos Festivais de Cinema de Locarno, de Sarajevo e de El Gouna, no Egito, em 2017, e é o candidato da Geórgia para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2018. 
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Este post faz parte do projeto Veja Mais Mulheres, criado pela Cláudia Oliveira. Para ver o post de apresentação deste segundo ano do projeto, que inclui minha lista de filmes e os links para as respectivas postagens, clique AQUI ou no banner da coluna à direita. Para ver o post de apresentação do primeiro ano do projeto com a lista de filmes e links, clique AQUI. 

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